Para que serve terapia com EMDR? Quem faz EMDR?

Dessensibilização e reprocessamento através de movimentos oculares ou EMDR

Trata-se de uma metodologia de psicoterapia que tem se destacado por apresentar resultados eficazes em tempo mais curto que o habitual. Busca através dos movimentos bilaterais alternados ativar o sistema de processamento de informação cerebral, permitindo que uma memória traumática possa ser acessada, elaborada, ressignificada e deixada no passado.

No caso de um evento traumático, as lembranças passadas continuam voltando junto com as emoções experimentadas, como se estivéssemos revivendo o perigo agora. Desta forma bastante simplificada podemos entender o trauma como uma dor sem fim, em que se vive em estado de alerta constante para um perigo de vida iminente! Pensamentos e emoções relacionados com o acontecido ocupam a mente interferindo na capacidade de seguir a vida.
Podemos dizer que esse também é um mecanismo de sobrevivência já que ocorre na tentativa de resolução de uma questão (sentida como) mal resolvida.

Mas como aconteceu isso? Por que aquela situação passada fica marcada como viva e atual?

Parece que quando a emoção despertada por um acontecimento extremo é tão forte que sugere risco de vida, o corpo reage de forma defensiva e “congela”, como se pudesse “não sentir”, evitar a emoção, e acaba por, de alguma forma, dificultar aquele processo de voltar ao equilíbrio quando o perigo está superado. Nesse caso a impressão de perigo iminente persiste e mantém o corpo em estado de alerta.

O trabalho terapêutico nestes casos seria reorganizar e reprocessar essas informações de forma a dessensibilizar em relação ao tema e deixar aquilo no passado.

O EMDR foi desenvolvido nos anos 80 por Francine Shapiro, psicóloga americana, e parte da hipótese de que o corpo possui mecanismos próprios de busca da saúde e encontra esta possibilidade com a estimulação bilateral do cérebro que promoveria uma “conversa” entre sensações e emoções bloqueadas. Isso também pode ocorrer no sono REM (período de movimentos oculares rápidos do sono). A estimulação bilateral utilizada no EMDR deflagra um mecanismo fisiológico que ativa o sistema de processamento de informações em suas cadeias associativas atingindo a rede de memória que guarda a informação disfuncional, desbloqueia o sistema nervoso e ajuda no processamento do material não consciente. Desta forma o trauma pode ser processado e liberado, a memória continua, mas a perturbação não.

Além dos movimentos oculares, estímulos visuais, táteis ou auditivos alternados podem ser utilizados. O processo deve ser conduzido por um profissional habilitado e durante um processo terapêutico.

O estímulo ocular acontece quando o paciente acompanha com os olhos   o movimento sequencial dos dedos do terapeuta que se movem direita/esquerda/ ou a barra de luzes que produz o mesmo efeito.

Estímulos táteis podem ser toques alternados nas mãos do paciente ou com um pequeno aparelho com duas pontas que vibram alternadamente.

Estímulos auditivos são usados com fones de ouvido.

Cada paciente se identifica com um ou outro tipo de estímulo.

Hoje existem estudos com exames de imagem que avaliam alterações, antes, durante e depois da intervenção com EMDR, da ativação e fluxo sanguíneo das estruturas cerebrais mostrando diminuição da ativação o que sinalizaria diminuição de reações de hiper vigilância e menos reações de sobressalto por parte do paciente e com mais ativação de córtex pré-frontal com consequente acesso a memórias mais positivas e com mais capacidade de regulação emocional.

O EMDR é especialmente empregado no tratamento de transtorno de estresse pós-traumático, quadros de ansiedade, depressão, fobias, síndrome do pânico, instalação de recursos positivos e outros.

A Associação Psiquiátrica Americana recomenda o EMDR como um dos principais métodos da atualidade para o tratamento de situações traumáticas.

 

Psicóloga Clínica Maria Theresa Ferreira Germani

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