Quanto tempo precisa tratar Pânico?

Pergunta:

Olá Doutor, estou com uma dúvida: há aproximadamente duas semanas acordei de madrugada com uma crise de pânico. Demorou alguns minutos para passar, mas controlei a respiração e tentei focar meus pensamentos em coisas positivas. No dia seguinte só estava esgotada e com aquela sensação de medo, que persistiu por algumas horas do meu dia.

Na segunda semana tive uma nova crise noturna, de menor intensidade, justamente pelas atividades de respiração, mas desde então, durante toda a semana me senti angustiada/ansiosa, mãos geladas, desconforto torácico, não conseguia me concentrar no trabalho, pouca ou quase nenhuma fome e sensação de medo (medo de ter uma crise novamente), afinal todo o meu corpo finalizava para isso. Entretanto, continuei com meus afazeres normalmente, trabalho, estudos, apesar da pouca concentração.

Fui ao psiquiatra, relatei o acontecido e ele me informou que os sintomas eram recentes e não poderia me dar um diagnóstico, apenas que eu havia sofrido de crises de pânico. Foi receitado um antidepressivo "Escitalopram", meio comprimido por dia, depois do almoço e Rivotril de 0,25 mg de uso sublingual, o segundo apenas se eu viesse a ter uma nova crise. Confesso que apesar de ter me sentido segura com o atendimento, estou com um pouco de receio em iniciar o tratamento com o antidepressivo. Hoje estou me sentimento bem, não estou angustiada, o que fortalece o meu receio de iniciar com a medicação. Tenho dormido normalmente. O Senhor aconselha o início imediato da medicação para evitar futuras crises ou não há a necessidade de me submeter ao tratamento com antidepressivo? Grata.

Resposta:

Depende se as crises começaram por causa de um problema agudo e recente e se você tem genética para pânico.

Às vezes uma pessoa tem ataques de ansiedade (chamados de Ataques de Pânico) no meio de uma situação estressante ou uma fase de muitas preocupações e pode ser que quando essa situação passar ela nunca mais tenha ataques de pânico.

Outras vezes os Ataques de Pânico aparecem sem nenhum motivo aparente. Nesse caso, a medicação é muito mais importante.

Por outro lado, mesmo nos casos de ataques de pânico “com motivo direto”, o uso de medicação por algum tempo protege teu cérebro de novos ataques.

É importante não ter mais nenhum. Esses sintomas, quando repetem muito, acabam acontecendo cada vez mais facilmente e com menos motivos.

É o Efeito Kindling, quer dizer, “quanto mais tem mais terá e quanto menos tem menos terá”.

 

Pergunta:

Oi, eu gostaria de saber qual é o tempo mínimo que uma pessoa tratada por Síndrome do Pânico pode ficar curada (já livre dos remédios)?

Eu tenho Síndrome do Pânico e estou tratando vai fazer um mês, meu Psiquiatra me receitou Venlafaxina e Rivotril 1 mg.

Também gostaria de saber se a TCC ou Psicoterapia Cognitivo Comportamental é fundamental? Porque eu perguntei para meu Psiquiatra se precisaria fazer e ele disse que no momento não. Obrigada desde já! Beijos

 

 

 

Pergunta:

Quanto tempo preciso tratar meu Pânico?

Tenho 18 anos e há cerca de 1 ano desenvolvi Síndrome do Pânico. Como meu pai sofreu de Pânico, o diagnóstico foi bem fácil.

Quatro meses depois dos Ataques d Pânico começarem, desenvolvi fortíssimos e intensos sintomas de Desrealização e Despersonalização. Como a angústia era muito intensa resolvi procurar um bom Psiquiatra e o mesmo me prescreveu Paroxetina em conjunto com Frontal.

O tempo foi se passando os sintomas da Despersonalização foram diminuindo até que acabaram.

Mas depois quatro meses os sintomas voltaram. Já não sei mais o que fazer. Depois de novamente passar no Psiquiatra o mesmo me prescreveu Paroxetina 30 mg e Venlafaxina 75 mg e Frontal 1 mg à noite.

Diagnosticou TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada). Gostaria de saber se pode ser feito o uso de dois Antidepressivos? Essa medicação é eficaz? E como ficam esses sintomas de Despersonalização? Obrigado e parabéns pelo site.

 

Resposta para as duas perguntas:

TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) e Transtorno do Pânico ou Síndrome do Pânico são problemas de Ansiedade.

Uma pessoa pode ter sido ansiosa a vida toda e a partir de certo momento começar a ter ataques de Pânico.

Venlafaxina (Efexor, Efexor XR, Venlift OD, Venlaxin, Alenthus, Alenthus XR) e Paroxetina (Aropax, Paxil CR, Pondera, Cebrilin, Roxetin, Paxan, Benepax, Aotin, Moratus, Paxtrat, Praxetina, Delfin) são ótimos antidepressivos e bastante eficazes em Transtorno do Pânico.

Os dois podem tratar também a Desrealização e s Despersonalização, só que parece que no teu caso não estão sendo eficazes.

Converse com teu Psiquiatra se não seria melhor, ao invés de misturar dois Antidepressivos, de tentar um terceiro ou um dos dois antidepressivos atuais com um neuroléptico em dose bem baixa.

Não existe regra universal para tempo de tratamento de Pânico, mas existem alguns critérios:

  • Todos os sintomas devem desaparecer, não pode ficar nem “ameaços” de pânico, como o pessoal fala.

  • Precisa ver se os motivos do Pânico já desapareceram.

  • A Psicoterapia nem sempre é fundamental, mas geralmente é muito importante.

  • Nos casos que o paciente consegue identificar as causas do Pânico e essas causas são situações de vida que ele não consegue resolver sozinho, provavelmente uma Terapia com um mix de Apoio e Analítica será mais útil.

  • Nos casos em que não se identifica nenhum fator desencadeante e isso existe também, provavelmente a TCC ou Psicoterapia Cognitivo Comportamental será mais útil.

  • Depois do desaparecimento de todos os sintomas o mais recomendado é manter a medicação na dose terapêutica pelo menos um ano e depois começar a tirar bem devagar.

  • Mas se o que foi tratado foram Ataques de Pânico que apareceram logo depois de algum evento traumático e foram tratados logo no início, é possível tentar suspender (aos poucos!) a medicação depois de poucos meses.