Você melhorou com Sertralina, mesmo assim sua psicóloga foi contra?

Tratar Depressão em São Paulo

Pergunta 1:

Gostaria de saber sua opinião, quando pudesse, do seguinte: tenho 24 anos, a minha mãe faleceu há 5 meses tendo estado doente 2 anos e meio e eu acompanhei-a sempre. Há 5 meses receitaram-me Bromazepan mas eu continuei com muita Ansiedade, um grande mal-estar e Ataque de Pânico. Já nem saia de casa.

Há um mês e meio minha médica achou que não era só período de luto mas Depressão.

Receitou-me Sertralina e melhorei começando fazer as minhas atividades diárias.

Minha psicóloga não gostou da decisão e disse que luto nunca deve ser tratado com antidepressivo.

Se possível gostava de saber a sua opinião. Muito obrigada!!!  Sou portuguesa e descobri o seu site. Achei bem organizado, esclarecedor e muito útil. Parabéns!

Resposta:

Quer dizer que seu luto provocou o aparecimento de uma Depressão com ataques de Pânico, que você melhorou com Sertralina (Zoloft), que com esse tratamento sua vida voltou ao normal, mas mesmo assim sua psicóloga foi contra?

O que ela queria, que você continuasse sofrendo?

 

Pergunta 2:

Ao ler a respeito em Depressão o comentário de que algumas técnicas de psicoterapia atrapalham a melhora, então gostaria de saber quais são?

Resposta:

Boa pergunta. O problema é que o Depressivo já tem a tendência a ver seu passado sob o prisma da culpa.

Portanto se fizer uma Psicanálise voltada para o passado, muitas coisas que pensa, sente ou acha na fase aguda da Depressão serão baseadas nessa visão pessimista e culpada.

Isso pode até piorar as auto-recriminações.

Provavelmente fora da Depressão os mesmíssimos fatos não seria vistos com tanta culpa assim.

 

Pergunta 3:

A relutância das pessoas em recorrer à medicação, nos casos de Depressão, é simples de ser entendida, mas pode ser subestimada pelos médicos, que têm um ponto de vista absolutamente impessoal e prático nesta questão.

Se assumirmos que nossos estados de espírito (alegria, tristeza, agitação, etc.).

Podem ser alterados - mesmo que para melhor - com medicamentos, estaremos assumindo que eles não são estados de espírito, mas sim, da mera química cerebral.

E que tudo o que sentimos é oriundo destas mesmas reações químicas.

Existirá, então,de fato, um espírito imortal, com existência separada do corpo, com livre arbítrio, criado à semelhança de deus, em cuja crença o ser humano busca conforto?

Deste ponto de vista, parece-me que não. Este pode ser um dilema antigo, vivido pelo ser humano desde o renascimento, mas ainda não está resolvido.

 

Resposta:

Na verdade esse risco não existe, porque os Antidepressivos não têm a capacidade de melhorar o humor de quem não está sofrendo de Depressão Clínica, ou seja eles não deixam ninguém mais alegre nem impedem ninguém de ficar triste se for o caso de ficar triste.

Quem não sofre de Depressão e toma Antidepressivos apenas sente os efeitos colaterais e nenhum dos efeitos antidepressivos propriamente ditos.

 

Pergunta 4:

Uma colega da Faculdade de Psicologia me criticou quando eu disse que tomava remédio para Depressão dizendo que ela nunca mais teve Depressão porque sabe controlar a mente e que era exatamente isto que eu precisava.

Isto existe em Depressão?

Pelo que eu entendi, ela indica Depressão mais como frescura e não doença.

Resposta:

Se ela conhece uma técnica tão eficaz para controlar sintomas depressivos, deveria divulgá-la, concorda? Iria ajudar muita gente.

 

Pergunta 5:

Sou Psicóloga e tenho uma paciente de 42 anos que se queixa de Depressão há aproximadamente 1 mês (nas primeiras sessões ela não me pareceu depressiva muito pelo contrário, está sempre bem vestida e bem cuidada).

Ela faz uso de Antidepressivos há mais de 10 anos e diz que é impossível dormir sem o medicamento.

Minha cliente tem a sua Depressão como estrutural: ela diz que é depressiva e não que está deprimida. 

A minha hipótese inicial é que foi aconselhado a ela que use esse tipo de medicamento como a única alternativa para uma vida melhor, o que particularmente discordo.

A minha impressão é que ninguém nunca escutou o que ela tinha a dizer,a que esta tristeza é reativa.

Hoje, ela está dependente da medicação.Um maior autoconhecimento, resultado de um bom processo Psicoterápico pode substituir a medicação a longo prazo?

Resposta:

Quem sabe ela não sofre de Distimia? Sendo Distimia, a medicação é tão importante quanto a Psicoterapia, nesse ponto concordo com você.

É difícil imaginar uma Depressão reativa que dure 10 anos, se mos colocarmos no lugar dela, concorda?

No mais, gostaria de comentar o seguinte:

Não existe dependência de Antidepressivo, existem Depressões que precisam de tratamento preventivo constante.

O maior autoconhecimento com certeza será bom para todas as esferas da vida dela, mas não sei se acaba com os sintomas Depressivos, se ela sofrer de Depressão ou de Distimia.

Quando você tem uma dor de cabeça pode até analisar o porque teve a dor (stress, ressaca, período pré-menstrual, pouco sono, etc.), mas saber disso tudo não alivia a dor.