Parece ter evoluído para uma Depressão leve, bem incômoda.

Sintomas residuais de Depressão

Pergunta:

Boa tarde Dr. Rubens Pitliuk! Tive uma depressão em 2004 que me deixou muito mal. Não saía do quarto, não comia, tinha vontade de morrer, desaparecer, tive pânico. Me isolei... Enfim, na época creio que não tive o tratamento adequado, mas também não tinha forças para questionar.

Tomei Fluoxetina e parei por conta própria. Não sei como, mas consegui melhorar. Creio que criei alguns bloqueios, inclusive uns apagões dessa época. Não tenho muitas lembranças desse período.

Tenho alguns resquícios de sintomas como choro fácil e sem motivo, cansaço e moleza excessivos, muito sono e vontade de ficar deitada, pouca libido, tristeza sem causa, falta de concentração, péssima memória, como se não tivesse acontecido, dentre outros.

Não são constantes (concentração e falta de memória são), mas quanto percebo que estou entrando novamente nesse caminho de forte tristeza, ativo meu modo de defesa quase que inconscientemente.

Por fim, atualmente procurei um profissional de psiquiatria que me receitou Escitalopram e terapia. Confesso que fiquei com receio. Não sei se é porque não tive uma boa experiência no passado ou porque tenho medo de tomar uma medicação tão forte e quando parar ficar pior do que estou agora.

Já li que não causa dependência, mas sou uma pessoa muito alérgica, inclusive a algumas medicações, e apesar do meu médico dizer que não há perigo de alergia, sempre fico com um pé atrás pelas reações que já tive.

O Sr. acha que mesmo não estando em um quadro de depressão hoje, apenas com sintomas residuais, como disse meu médico, seria indicado iniciar com Escitalopram ou apenas uma terapia seria suficiente?

Estou realmente em dúvida, aguardo ansiosa por sua resposta! Desde já, muito obrigada!

Resposta:

Em primeiro lugar, nunca vi alergia de Escitalopram (Lexapro, Reconter, Exodus, Esc, etc.).

O Escitalopram é um excelente Antidepressivo e espero que ele acabe com 100% dos sintomas residuais, pois as pesquisas mostram que quando uma Depressão não passa completamente, existe um risco muito maior dela voltar.

Por outro lado, sintomas residuais de depressão costumam reagir melhor a Antidepressivos Noradrenérgicos e Dopaminérgicos do que a Serotoninérgicos, o que não quer dizer que você n ao fique completamente boa com o Escitalopram.

Com relação a uma terapia, não sei se você tem fatores de vida ou personalidade que possam estar contribuindo para esse estado residual da Depressão.

 

Pergunta:

Olá, a minha dúvida é a seguinte: quando a gente faz um tratamento para Depressão maior e, depois de muitas tentativas com diferentes medicamentos e de diferentes doses dos mesmos, consegue-se chegar numa melhora do quadro.

Porém, com essa melhora, o paciente parece ter evoluído para um estado de Depressão leve, bem incômoda também.

Como todos os recursos já foram esgotados, como fazer para q esta pessoa fique bem, curada da Depressão leve?

Existem casos em q a pessoa simplesmente terá que aceitar q não voltar a ser a mesma pessoa de antes?

Obs.: O paciente tenta de tudo: atividade física todos os dias, meditação, alimentação balanceada.

 

Pergunta:

Meu marido tem tido uma mudança de comportamento após o uso de 2 medicamentos, Efexor 75 mg e Frontal XR 1 mg. Ele mesmo reclamou de insensibilidade. Não chora, não tem muito humor para nada. Ele já faz uso dos medicamentos há aproximadamente 2 anos.

Gostaria de saber se é possível que isso seja do medicamento? Já que li nas bulas sobre confusão mental e despersonalização.

Resposta:

É muito importante tratar uma Depressão até a remissão completa dos sintomas, ou seja, sem ficar essa Depressão leve residual.

Alguns pacientes ficam num estado não depressivo mas também não animado, é como se os afetos oscilassem menos que o normal. Meio indiferentes.

Isso se chamava antigamente de Depressio sine depressione.

É mais comum acontecer com pacientes tratados com IRS (Antidepressivos Inibidores de Recaptação de Serotonina.Às vezes precisa mais um antidepressivo, principalmente do grupo dos Noradrenérgicos e Dopaminérgicos, às vezes associar Estabilizador de Humor e muitas vezes um Estimulante.

 

 

Pergunta:

Parabéns pela personalidade atenciosa, e por divulgar informações tão importantes. Três meses depois que parei de fumar (fumei durante 18 anos), surgiu uma crise depressiva forte que diminuiu depois de cerca de 30 dias (sem medicação).

Após essa melhora (sem remissão total), resolvi tomar Hypericum perforatum 300 mg 3 x ao dia, durante 30 dias.

Obtive uma leve melhora, mas também não houve remissão total.

Tenho algumas dúvidas:

1) O desencadear da Depressão foi pela abstinência a nicotina?

2. O Hypericum perforatum realmente é eficaz no tratamento da Depressão?

3. Deveria ter persistido mais tempo utilizando Hypericum?

4. O Hypericum perforatum é melhor ou equivalente à Fluoxetina em termos de eficácia?

5) Tomo de 2 a 3 latinhas de cerveja praticamente todos os dias. Pode ser o motivo agravante da Depressão?

6. Durante o período do vício pelo cigarro, minha disposição era muito maior que atualmente inclusive sexualmente. Tratando a Depressão, posso voltar como era antes?

Muito obrigado.

Respostas:

1) Provavelmente não.

2, 3 e 4) Me parece que existe um estudo concluindo eficácia semelhante entre Fluoxetina e Hypericum. Mas é só um estudo. O Hypericum é usado há várias décadas e nunca foi tão convincente assim.

5) Apenas teu médico pode dizer se você pode ou não beber cerveja com a medicação.

6) Provavelmente você observou corretamente: a nicotina podia si aumentar rota disposição para as atividades diárias e a libido. Isso sugere que você provavelmente melhora com um Antidepressivo Dopaminérgico.

 

 

Pergunta:

Conhecer sua página já foi um alento para o meu tratamento. Há 10 dias comecei a tomar Lexapro por indicação de meu clínico geral. Fui a ele porque apresentava os sintomas clássicos de Depressão, com angústia intensa, perda de apetite e peso, desinteresse pelas coisas que me dão prazer, insônia severa e comprometimento de meu desempenho e interesse profissional.

Sei que o processo de cura (regressão dos sintomas) é demorado, mas desde que comecei a tomar o medicamento os sintomas se agravaram.

Além do estresse a que estou sempre submetido profissionalmente, tenho a opinião de que o desencadeou a crise são sintomas urológicos recorrentes (desconforto urinário) apesar de ter feito todo o tipo de exame possível que nada indicaram.

Tenho 58 anos, sou casado, levava uma vida sexual e social absolutamente normais.

São duas as perguntas:

1)Nos finais de semana, ao consumir bebidas alcoólicas, sinto-me muito melhor e sem os sintomas da Depressão. Temo que isso me empurre para o consumo excessivo.

2) Li sobre o tratamento Antidepressivo Intravenoso que tem efeito mais rápido. Como minha vida pessoal e, principalmente, profissional está em severo risco (comprometendo a qualidade de vida de minha família) onde encontrar esse tratamento de choque?

Resposta:

1) Com relação à bebida, seu médico decide.

2) Com relação ao tratamento Antidepressivo Endovenoso, não se faz mais. Nos casos que precisam melhora muito rápida, se usa a TMS (Estimulação Magnética Transcraniana).

Mas voltando ao Lexapro (Escitalopram, Reconter, Esc, etc.) 10 dias é pouco. Espere mais uns 5 dias para falar com teu médico sobre mudança de dose ou de Antidepressivo.